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Anvisa vai reavaliar princípios ativos de agrotóxicos, que podem ser banidos conforme o risco

Anvisa vai reavaliar princípios ativos de agrotóxicos, que podem ser banidos conforme o risco

Edital para início do processo sairá em dezembro e foca em 7 ingredientes ativos que são base para diversos pesticidas vendidos atualmente. Trabalho poderá levar até 2 anos.

Por Rafaella Vianna, TV Globo — Brasília

26/08/2019 13h08  Atualizado há um dia


Anvisa vai reavaliar risco à saúde de 7 ingredientes ativos que são base para diversos agrotóxicos à venda no Brasil — Foto: Érico Andrade/G1

Anvisa vai reavaliar risco à saúde de 7 ingredientes ativos que são base para diversos agrotóxicos à venda no Brasil — Foto: Érico Andrade/G1

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou nesta segunda-feira (26) que vai reavaliar o perfil toxicológico de ingredientes ativos que são base para agrotóxicos à venda no Brasil.

O objetivo é conferir se existe potencial cancerígeno ou de alterações endócrinas e reprodutivas, entre outros riscos à saúde humana.

O processo começa em dezembro, com o lançamento de um edital para que fabricantes entreguem estudos, e pode demorar até dois anos para cada ingrediente, diz a agência.

Ao fim da reavaliação, o item poderá ser banido do mercado brasileiro, passar a circular com restrições ou continuar sendo vendido normalmente, caso a conclusão seja de que não há riscos.

Quais são os ingredientes

Atualmente, 381 ingredientes ativos têm registro no Brasil. A primeira rodada da reavaliação vai focar em 5 fungicidas, 1 inseticida e 1 herbicida (veja a lista abaixo).

Princípios ativos de agrotóxicos a serem reavaliados pela Anvisa

Ingrediente ativo Situação atual no Brasil Situação na UE Situação nos EUA
Carbendazim autorizado não autorizado não autorizado
Tiofanato metílico autorizado autorizado autorizado
Epoxiconazol autorizado autorizado não autorizado
Procimidona autorizado não autorizado não autorizado
Clorpirifós autorizado será banido em 31/01/2020 autorizado
Linurom autorizado não autorizado autorizado
Clorotalonil autorizado será banido em 20/11/2019 autorizado

Fonte: Anvisa

Segundo a Anvisa, a proibição de alguns desses ingredientes na União Europeia ou nos Estados Unidos não se motiva, necessariamente, por riscos à saúde. Motivos ambientais também podem estar envolvidos, acrescentou a agência.

A primeira substância a ser reavaliada será a Carbendazim, um fungicida, em relação a possíveis alterações no DNA humano, na formação de fetos e na reprodução humana em geral.

Por que reavaliar

Até hoje, segundo a Anvisa, não existiam critérios claros para definir a lista de produtos a serem reavaliados, já que o registro de agrotóxicos no Brasil não tem prazo de validade, e a agência só fazia esse tipo de análise quando acionada, normalmente pelo Ministério Público.

Muitas vezes esses pedidos judiciais de reconsideração não eram feitos com base nos danos à saúde humana, o foco da Anvisa, disse a agência.

Atualmente três produtos estão em reavaliação pela agência. Entre eles, está o herbicida Glifosato, o agrotóxico mais vendido do mundo e descrito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como como um “provável causador” de câncer.

Além dele, estão sendo reavaliados o inseticida Abamectina e o fungicida Tiram.

“Pela primeira vez, a Anvisa cria um modelo para fazer reavaliações de agrotóxicos, que até hoje eram feitas com outras regras, como por exemplo as do Ministério Público, do Judiciário”, explicou Renato Porto, diretor da agência.

“Então, agora a gente tem um ranking, uma numeração, uma quantidade de pontos que vai definir qual é o primeiro agrotóxico a ser reavaliado, o segundo, o terceiro…”

Para ele, a reavaliação levará a uma redução do nível de toxicidade dos agrotóxicos no país, já que novos produtos só podem ser registrados num grau menor ou igual aos que já existem.

“Isso significa dizer que, se nós fizermos uma reavaliação adequada por critérios de saúde, nós vamos empurrando a classificação toxicológica pra baixo ao longo dos anos. Foi assim que foi feito em todos os países do mundo”, completou.

Fonte: G1/ GLOBO – AGRO


 

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