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Tratamento Injetável de Longa Duração para HIV é Aprovado nos Estados Unidos

Tratamento Injetável de Longa Duração para HIV é Aprovado nos Estados Unidos

ViiV Healthcare, pertencente à GlaxoSmithKline (GSK), tendo Pfizer e Shionogi Limited como acionistas, anunciou que sua primeira terapia com antirretrovirais injetáveis de longa duração para HIV foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), órgão de controle de medicamentos dos Estados Unidos. A vantagem do tratamento é o paciente não precisar tomar medicamentos diariamente.

Pouco mais de um ano após ser rejeitado pela FDA, o Cabenuva finalmente ganhou a liberação do órgão regulador norte-americano. Segundo revelou o site Fierce Pharma, esperava-se que o medicamento obtivesse sua aprovação até o final de 2019, mas a FDA o rejeitou por causa de problemas de fabricação. Desde então, ele obteve sua primeira autorização no Canadá, em março de 2020, e em dezembro, foi aprovado pela União Europeia.

Cabenuva é uma combinação de cabotegravir e rilpivirina, drogas que devem ser administradas por via intramuscular a cada um ou dois meses para que sejam mantidos seus níveis terapêuticos entre as injeções. A nova proposta de coquetel injetável foi avaliada em uma série de ensaios clínicos que compararam a sua eficácia terapêutica com a do esquema clássico, que utiliza comprimidos diários, conforme revelou o médico infectologista e colunista do Uol Rico Vasconcelos.

No mais recente estudo, publicado em 2020, foram recrutados 618 indivíduos com o HIV indetectável em tratamento regular habitual. Depois de incluídos no estudo, foram sorteados para trocarem o tratamento para o injetável ou seguirem com os comprimidos. O acompanhamento dos dois grupos mostrou que, independente do tratamento realizado, a porcentagem de indivíduos com a carga viral indetectável se manteve estável e semelhante. Não importando também se as injeções eram aplicadas a cada um ou dois meses.

Segundo a diretora executiva da ViiV Healthcare, Deborah Waterhouse, o medicamento traz uma opção de tratamento importante aos pacientes de HIV. “Sabemos que há uma proporção de pessoas que tem dificuldade para tomar comprimidos todos os dias, algumas porque acham desafiador lembrar que vivem com HIV”, disse Deborah ao Fierce Pharma. “Outras porque têm problema em revelar que são HIV positivas, acham estigmatizante, então precisam esconder seus medicamentos e viver com medo de que eles sejam encontrados”, completou.

Para Rico Vasconcelos, a diversificação das opções terapêuticas é um excelente caminho para adaptar o tratamento aos diferentes contextos de vida. “Comprimidos podem ser uma boa opção para alguns, assim como injeções podem ser para outros. Só não podemos achar que todas as pessoas são iguais e nem desconsiderar as peculiaridades de cada um”, salienta o médico.

Vasconcelos critica a ausência no País de uma sinalização para adoção do novo tratamento. “No Brasil, não existe ainda a discussão da incorporação dessa tecnologia. Para que isso se torne um dia uma realidade aqui, além do registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), precisaríamos também de uma análise da operacionalização do uso da terapia antirretroviral injetável no nosso sistema público de saúde, inclusive com a avaliação de custo-efetividade”, diz, lembrando que a decisão de outros países é “um passo importante e que pressiona o Ministério da Saúde a começar a pensar nesse assunto”.

Fonte: Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ)

 

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